O novo é melhor que o antigo e desta forma o consumismo é um modo de evolução.
Naquela quinta feira ao sair do tênis, exausto, suado, com fome e sede, o japonês caiu como uma luva tudo foi perfeito, do atendimento até um molho de alho que cobria a entrada de cubinhos de peixe cru. De lá pra cá, toda ou quase toda quinta feira é dia de japonês. Hora, não é mais a mesma coisa, da primeira vez foi novo, foi imbatível, espetacular me surpreendeu, não só a qualidade e originalidade da comida como de toda a situação, numa tarde ensolarada de quinta feira. Não tem como ser tão bom, quando passo na frente, antes do tênis, já sei o que está me aguardando, aquele gosto suculento de... qualquer um dos pratos que me servem já molha minha boca através de minhas memórias. Como poderia a pobre memória trazer algo surpreendente.
Seria isto a sede do aprendizado? É perceptível em minha mente, o constante esquecimento de coisas, gostos e rostos. O esquecimento acontece mais rápido com as coisas que não são marcantes ou não foram mais marcantes depois de acharem um lugar na memória e assim tornarem-se “o mesmo” e perderem interesse.
Pra que a memória?
O carro novo, o computador novo, a caneta nova, o lápis novo. É melhor o novo é mais gostoso, tem cheiro diferente, com o uso as coisas ganham o dono ou vice-versa. O cheiro a cor, o formato passa a ser aquele que vc com tanta frequência imprimiu no item. O banco do carro, o cheiro da direção, a aparência do lápis. Quem deixa pela “vida inteira” o fundo de tela do computador igual?
Vamos deixar o novo e usar o diferente. É ou não é pejorativo chegar em casa sempre no mesmo horário, abrir o portão (mesmo que com o botão do controle remoto), ser servido sempre da mesma dose de wiskey, no mesmo copo larga e baixo que eu adoro e ler aquele jornal que vc selecionou com tanto carinho dentre milhões de possibilidades já a 3 anos? É pejorativo por que a mídia nos ensinou isto? É, com certeza... bons os marqueteiros dos tempos das cavernas, se não fossem por eles não teríamos ido aos feudos nos tornar vassalos e assim por diante.
Uma fruta nova, um sabor diferente, um lugar diferente. Se pudéssemos consumiríamos ainda mais e se quiser culpar alguém sugiro Darwin ou Deus.
Vamos desvincular a palavra consumo da palavra dinheiro ou vamos considerar a quantidade de carbono emitida para fazer a troca do fundo de tela do Windows (ah, esqueci TM depois do windows e letra maiúscula obviamente). Quem precisa trocar o fundo de tela - aquele do gramado com o céu azul (para quem esqueceu, winXP) - é imbatível.
Sim, é possível viver sempre com tudo igual. Inclusive com tudo igual ao seu vizinho que vai ter tudo igual ao que o seu pai - e o dele - já tinham. Não, não é, cada qual precisa de suas coisinhas diferentes, de um lápis a um carro, uma casa, um quadro, uma cidade diferente.
O mesmo tem seu lado positivo, ele nos atrela a um tempo ou um momento que foi bom, vá procurar alguma coisa no meio de suas coisas que vc gostaria de manter para o resto da sua vida, algumas delas escorregaram por entre meus dedos. Aquele fusca antigo que nunca ganhei do meu avó mas usei ao longa da faculdade, alem de ter um motor boxter inventado na segunda guerra mundial que até hoje alimenta os porches (e carros e motos especiais por aí a fora), alem de ser marrom, tração traseira, alem de ter o banco do motorista torto - por conta dos 120kg que meu avo teve - alem de ter um rádio “rio de janeiro” ridículo - colocado por mim - alem de todos este defeito (defeito? se liga, isto são vantagens!) ele saiu da fábrica no mesmo ano que saí da barriga da minha mãe. Este sim eu queria ter guardado... o igual teria sido bom? Sim, teria. Mas neste caso teria sido um consumismo pois dificilmente eu sobreviveria sempre somente com este carro - com este transito, quem aquenta andar de carro?
Sou a favor de construir coisas que possam entrar nesta categoria, de tão memoráveis, com histórias tão completas que não possamos mais abrir mão daquele em detrimento do diferente.
Acredito sim, que seja mais normal e corriqueiro comprar algo pensando que será aquilo que guardarei para o resto da vida do que o contrário (mas admito que qualquer sentimento e qualquer uma das duas direções possa ser uma jogada de marketing). Vamos transferir este sentimento para um lugar... desde moleque viajo e desde então digo para mim mesmo que voltarei a cada um destes lugares lindos que visitei. O novo sempre, ou quase sempre superou, mesmo que exista a vontade, na hora de embarcar a grande maioria dos embarques são para diferentes portos.
O modernismo depende da vontade pelo diferente e talvez até nós, segundo Darwin, dependemos desta vontade para sermos maiores mais altos e lá na frente mais forte e sobreviver.
Vou escrever o que me der na telha e torcer para o maior número de pessoas gostarem e comentarem.
domingo, 7 de novembro de 2010
Ensaio sobre o novo.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Receita de Pão Preto com castanha do Pará para máquina Britânia

Pão é uma novela, não adianta fazer uma vez e reclamar com o dono da receita por que não deu certo (principalmente se for receita minha), também não adianta fazer só um e se der certo sair por aí dizendo que é um gênio de pães (mesmo assim eu sou, que isto fique claro!).
A quantidade exata de farinha e liquido depende muito da umidade e temperatura do dia por isso é legal acompanhar a máquina nos primeiros 9 min em que ela bate a massa que precisa ficar num conjunto só, uma espécie de bola, quando a máquina para precisa de uns minutos até a massa acentar e encostar nas paredes.
Ingredientes
- 2 ovos
- 1/4 de água morna
- 1/8 de copo de óleo de milho
- 1/8 de copo de azeita extra virgem
- 2 colheres de sopa de mel
- 1 colher de chá de sal
- 1 copo de farinha de trigo especial
- 1/4 de copo de castanha do Pará picada (pedaços pequenos)
- 3/4 de copo de farinha de trigo integral
- 1/2 de copo de polvilho azedo
- 1 colher de chá de fermento biológico seco.
Modo de preparar
A ladainha da britânia, tire a forma da máquina,
coloque a faquinha/batedor no eixo central, coloque os ingredientes na ordem conforme acima.
Escolha o ciclo: opção 3 (pão integral)
Escolha a quantidade de massa: Opção I - pequena (este pão tem uns 550grs.)
Escolha a opção de cor: Escura (sempre usei a escura, nem mesmo sei o que vai acontecer usando as outras opções)
Feche a tampa
Pressione iniciar/parar.
Obs.: A ordem de entrada dos ingredientes é importante principalmente caso você queira agendar a conclusão do feitio do pão pela máquina, veja as instruções do manual britânia neste sentido.
Comentários
Tentei a mesma receita no na mão e no forno e muda consideravelmente a maneira de se fazer, mesmo as proporções líquidos e sólidos muda mas aconselho a mistura dos ingredientes.
O polvilho azedo é o ingrediente de base para aquele biscoito de polvilho de beira de estrada ou “biscoito de ar” e também é a base do pão de queijo, o efeito no pão é bem menos perceptível mas a idéia é a mesma, aerar o pão, deixa-lo com buracos grandes, as fatias ficam mais leves e há um acréscimo interessante no gosto que se pronuncia na casca.
As castanhas ajudam muito é um tchans saudável e muito agradável tanto na textura quanto no paladar.
Em geral a receita terá 2 e meio copo de farinhas por 1 de líquidos + um ovo, sal e pimenta. Quando digo “copo” refiro-me ao copo de medidas da Britânia que tem 220ml também uso as referencias da marca para colheres de chá e sopa. A divisão exata é a seguinte.
Experimente aumentar a proporção de óleo sobre a proporção de água para obter um pão que demora mais para parecer velho com a passagem dos dias.
Se vc substituir o líquido por leite as proporções com as farinhas começam a mudar drasticamente. É legal experimentar mas fique de olho no ponto da massa.